Assim como muitos brasileiros, tenho uma grande admiração e um profundo respeito pelo juiz Sérgio Moro. Um profissional competente que se dedica a fazer justiça com coragem em um país onde o “jeitinho” e a impunidade prevalecem durante anos, mas mudanças têm acontecido que nos fazem acreditar que esta realidade começou a mudar.

Para conquistar tudo o que vem realizando, Moro se especializou no combate à corrupção e lavagem de dinheiro. Além de estudar para ser juiz, fez mestrado, doutorado e vários cursos sobre crimes financeiros no exterior. Parece gostar muito do que faz, pois, em seu percurso, nota-se uma forte tendência do mesmo a contribuir com a formação de outros profissionais. Mas será que é somente seu desenho de carreira que o leva a conseguir a realização de seus feitos? Acredito que não…

Do meu ponto de vista, ele tem presença pessoal forte, o que lhe confere um alto poder de influência tanto para mobilizar pessoas e conduzir equipes, como para se colocar em situações de questionamento e conflito.

Neste artigo, levanto alguns pontos sobre essa questão. As colocações são baseadas em meus conhecimentos, experiência e observação da participação de Sérgio Moro em entrevista para o programa Roda Viva no dia 26/03/2018.

Vamos aos pontos que notei. Personalidades com forte presença e marca pessoal:

– Defendem um ponto de vista e possuem forte senso de missão.

Moro abriu mão de sua segurança pessoal e expôs sua imagem para encabeçar a maior operação anticorrupção da história. Ele tem um ponto de vista e se posiciona claramente sobre a execução da pena de condenação em segunda instância, com o propósito claro de igualar as oportunidades de defesa para réus com ou sem poder, garantindo liberdade e igualdade para todos. Segue confiante em suas colocações, não se importando em agradar a todos ou fazer amigos e, sim, cumprir o seu objetivo. Pelo que notei em seu discurso, entende que receber alguns “atributos”- que para outros seria uma ofensa – não agride a sua moral quando age de forma congruente com o que considera correto e com seu propósito maior.

– Comunicam-se com autenticidade e verdade

Percebo na fala e no uso de gestos de Sérgio Moro ausência de qualquer sinal de dúvida ou receio com seus pontos de vista e argumentos. Sua expressividade transmite autenticidade e ele consegue fazer com que as pessoas prestem atenção em seu discurso muito mais por essa verdade do que por qualquer uso de técnica de oratória. Em alguns momentos, chega a apresentar adiamentos em sua fala (uso de “é…”) e articulação imprecisa, mas essas características não transmitiram qualquer indício de insegurança.

Essa segurança ao se comunicar mesmo em situações desafiadoras tem relação com o item que descrevi acima. É conseguida quando a pessoa tem uma consciência ampla de sua missão, sua identidade, suas crenças e seus valores no contexto no qual se comunica e se relaciona.

– Têm coragem para mostrar sua vulnerabilidade

Durante o início da entrevista notei que Moro apresentava manchas vermelhas na face que, com o passar do tempo e desenrolar da entrevista, desapareceram. Isso me fez pensar que talvez ele estivesse nervoso naquele lugar, cercado de vários jornalistas inteligentes, participando de um programa de TV ao vivo importante para o Brasil.

Tremor nas mãos, vermelhidão, alteração da respiração, imprecisão articulatória temporária e suor são sintomas comuns quando sentimos desconforto ou receio de falar em público ou colocar nosso ponto de vista em grupo. Muitas pessoas apresentam essas reações e temem que as outras pessoas notem.

Mas o quanto as manchas no rosto de Moro tiraram sua credibilidade? A meu ver, nada. Sua coerência e alinhamento são tão fortes que tenho certeza de que muitas pessoas nem perceberam que ele estava vermelho. É isso que acontece com os sintomas que mencionei quando optamos por não dar atenção a eles e, sim, manter o foco em nossos objetivos e em fazer com que o interlocutor compreenda nossa mensagem de forma clara.

Assim, sempre que você se encontrar em situações de apresentação em público ou for convidado a se colocar em uma reunião, sugiro que se organize pensando em três pontos:

  • sua contribuição para o tema discutido e para as pessoas presentes,
  • no que você tem de único em seu jeito de ser e na forma como se comunica (sendo uma pessoa extrovertida ou não) e
  • em programar sua mente para manter o foco em fazer com que a mensagem que deseja compartilhar chegue de forma clara ao interlocutor.

Analisando as três características da presença e oratória de Sérgio Moro, fica evidente que uma oratória clara e convincente é resultado, antes das técnicas, do autoconhecimento, alinhamento interno e forte senso do porque vivemos e nos relacionamos: para ajudar e resolver questões das pessoas, das empresas, das instituições, de uma nação ou do mundo.

Eu sou Cecília Lima, desperto e desenvolvo a excelência em pessoas para que se apresentem e se relacionem com confiança, autenticidade e clareza em todas as suas interações sociais e, assim, obtenham uma vida de conquistas, significado e realização.

Link da entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=DqtPZVBhfNw

foto: Sergio Moro no ‘Roda Viva’, da TV Cultura (TV Cultura/Reprodução)

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